Transparência
Alguém já afirmou que governar é resolver problemas. Em grande parte isto é verdade, mas melhor é ter-se uma compreensão múltipla do poder, como parte integrante da vida de cada indivíduo. Ou entender, no pormenor, que o poder, hoje, deve se abrir e romper fronteiras tradicionalmente demarcadas entre público e privado.
É sob a lógica deste “biopoder” que precisa se estender, para além do Estado, toda a política atual. O chamado Estado moderno pós-fordista integra indivíduos e municípios na gestão dos governos por meio de políticas públicas direcionadas para áreas como saúde, transportes, habitação, meio ambiente e educação, para citar algumas somente.
Ao longo do tempo, na sociedade contemporânea, estes mecanismos vão se tornando cada vez mais ou menos democráticos e os cidadãos participam mais ou menos intensamente, por meio de redes cada vez mais flexíveis e flutuantes. Todos estes aspectos estão entrelaçados na formação de um novo e confuso ser social agora presente e atuante, principalmente via web.
Não é sem razão que todas essas dimensões da vida tendem a coincidir, se interrelacionar estritamente e passam a configurar a busca de um novo padrão de ação e atitude, de ser e estar, chamado na intimidade da nova era de Sustentabilidade.
Essa tal Sustentabilidade, como novo paradigma, como novo padrão de conduta no espaço biopolítico da vida nua e crua, requer o surgimento de um novo sujeito político, totalmente outro, fora dos procedimentos da velha prática política, esta em processo acelerado de decadência. É preciso não só acompanhar a mudança de visão de mundo, como, certamente, reformular a política para o novo padrão, reformatando as mentalidades para o novo século que recém se instalou.
Reformular, portanto, a política do tempo presente para o novo século, sob a égide da Sustentabilidade, é torná-la transparente, abri-la aos canais de participação e devolvê-la ao seu legítimo portador. Transformar o eleitor-passivo em cidadão-gestor, para estabelecer um ambiente aberto de atuação transversal direta, por meio de gabinetes de governança integrada e de mandatos pautados na democracia partcipativa e deliberativa.
Evidencia-se uma nova lógica de organização política e social, com base nas diversas manifestações da biopolítica contemporânea, para articular harmonicamente todos esses enfoques, com a compreensão abrangente de que é não só vital ampliar o acesso à informação, abrindo de verdade os canais, como também equilibrar e administrar de maneira eficaz, eficiente e efetiva a regulação democrática dos conflitos que advirão com o processo inevitável de inovação e participação em todos os setores da sociedade.
A Política do futuro é a que temos que começar a praticar agora.
Fernando Guida
Membro da Direção Nacional do Partido Verde
http://guidapv.wordpress.com
Twitter: @fernandoguida















