Busca pela integração regional nos municípios no entorno do Conleste

Diante do nível de investimentos, expectativa de geração de empregos e arrecadação de impostos, com transformação significativa do perfil socioeconômico, bem como ambiental, em volta do Complexo Petroquímico do Rio (Comperj), municípios do empreendimento deliberaram pela criação do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento do Leste Fluminense (Conleste).

O objetivo do órgão é definir estratégias e atuações conjuntas diante dos impactos decorrentes do projeto. Passados seis anos do anúncio da construção do Comperj, o Conleste agregou mais quatro cidades, sendo constituído hoje por, além de Itaboraí – onde erguem-se as obras – Araruama, Cachoeiras de Macacu, Casimiro de Abreu, Guapimirim, Magé, Maricá, Nova Friburgo, Niterói, Rio Bonito, Saquarema, São Gonçalo, Silva Jardim, Tanguá e Teresópolis.

Apesar da soma de forças, o coordenador do Consórcio, Álvaro Adolpho Tavares, sublinha que uma das principais preocupações das prefeituras da área, na atualidade, é a qualificação profissional dos habitantes locais e, em tempos de Rio+20, o executivo conversou com O FLUMINENSE após participar do seminário “Territórios Sem Fronteiras, Enlaces, Cooperação e Solidariedade Tecnológica para a Sustentabilidade”, no Museu de Arte Contemporânea (MAC), ressaltando as medidas de compensação para instalação do polo petroquímico na região.

“Temos um grande desafio que é a capacitação e qualificação profissional da mão de obra regional. Se não tivermos um grande programa, não adiantará gerar riqueza de um lado se ela não puder ser usufruída pelos habitantes locais. As pessoas só poderão postular, disputar os postos de trabalho, se estiverem preparadas. Isso não se resume ao segmento da cadeia petroquímica. Um investimento como o Comperj, estima-se, gerará para lá de 200 mil empregos, demandando uma outra logística, estradas, armazéns, postos de saúde e escolas”, afirma ele.

Na visão de Tavares, a principal equação a ser resolvida na matemática de investimentos do Comperj é integrar a voluptuosidade do projeto, que totaliza U$ 25 bilhões de aporte financeiro, a uma nova realidade dos municípios que receberão a ação direta do complexo petroquímico.

“Estamos vivenciando o maior investimento da história da Petrobras. O Comperj está incluso entre os dez maiores projetos do mundo. Estamos falando de US$ 25 bilhões, cifra inalcançável para nossa cabeça do ponto de vista do cálculo. Isso, em um cenário após o estado do Rio ter vivido, nos últimos 30 anos, uma verdadeira inapetência econômica, quando principalmente as grandes atividades não se consolidavam por aqui. Contudo, nos últimos seis anos, essa localidade em volta da Guanabara recebeu uma série de empreendimentos, mas a situação desse perímetro é extremamente injusta, porque nessas mesmas três décadas, após o advento da Ponte Rio-Niterói, as plantações de laranja foram substituídas pelo loteamento, houve ocupações desorganizadas, faltou saneamento e planejamento urbano. Pela primeira vez, está se alterando esse paradigma”, analisa.

Necessidades de cada município devem ser estudadas- Uma das medidas de primeira instância em busca da viabilização de uma integração regional foi a criação do Conleste. A ideia, de acordo com Álvaro Adolpho Tavares, é entender as necessidades de cada município ao mesmo tempo em que se busca soluções em um plano regional, a partir do conhecimento globalizado dos problemas que as cidades enfrentam hoje e ainda terão no futuro.

“O Conleste é um grande acordo e, logicamente, as cidades elencaram uma série de prioridades, estando entre elas um plano de saúde para a região, o tema da mobilidade urbana, o tratamento dos resíduos sólidos, bem como a solução dos problemas de abastecimento hídrico. Nisso tudo, o mais importante é o pacto para tratar esses assuntos dentro de uma ótica regionalizada. Não se resolve água em Niterói ou São Gonçalo isoladamente, pois nenhuma das duas produzem uma gota sequer, no entanto, possuem quase 2 milhões de habitantes”, assegura o presidente do Conleste.

Uma outra medida importante para os municípios é a solução da questão habitacional, diante da previsão de um fluxo migratório intenso de várias partes do país, principalmente com o complexo industrial entrando em operação. Isso sem contar as empresas satélites, que também atuarão na região.

“Estamos criando a Cooperativa de Habitação do Leste Fluminense (Habitaleste), justamente, para que os municípios desenvolvam projetos, através de iniciativas como o Programa Minha Casa, Minha Vida, bem como capazes de aproveitar outras linhas de crédito existentes hoje em dia”, revela Tavares.

O Fluminense do domingo – Niterói, Territórios Sem Fronteiras

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