O “efeito Orloff” e a taxação de fortunas

Brasil Econômico
13/2/2013
O “efeito Orloff” e a taxação de fortunas
ALOYSIO VASCONCELLOS
Diretor da Westchester Financial Group

Há algum tempo era comum, especialmente nos ambientes dedicados a economia e finanças, o uso da expressão “efeito Orloff”, apropriada de um comercial de bebida, cujo slogan era “Eu sou você amanhã”.

No fundo era um alerta passivo, brincalhão, sobre o risco da repetição, no Brasil, das bobagens implementadas à época na Argentina, que poderiam produzir em nosso país efeitos igualmente negativos. E tudo víamos e nada fazíamos, apesar de alertados.

Obviamente, sempre apareciam os otimistas de plantão que diziam “não, isso não ocorrerá aqui” ou, “nossa economia está fortalecida, o país mudou, a situação está sob controle”. Repetíamos os erros dos hermanos, às vezes até os superando na excelência da má administração pública. Deixamo-nos acometer pela síndrome da avestruz, enterrando a cabeça na terra quando se aproximava o predador. Numa projeção atual e bem mais ampla vemos hoje, no mundo desenvolvido e industrializado, uma clara tendência ao socorro fiscal, focando os ganhos e as receitas dos milionários, como uma boia sonhada e ardentemente necessária para sobrevivência nesse tsunami econômico, fiscal e financeiro que se abate impiedosamente sobre as maiores economias do Ocidente.

François Hollande, presidente da França, cumprindo promessa de campanha, introduziu pacote financeiro e fiscal que, apesar de distribuído entre as diversas camadas socioeconômicas, buscou entre os milionários e as grandes empresas o quinhão que necessitava para levar à frente os objetivos traçados para o seu país.
Não é segredo que em conseqüência de sua política fiscal se intensificaram as transferências de valores para o exterior, sobretudo, para a Suíça. Causou impacto na imprensa a decisão recente de Gérard Depardieu, o venerado ator francês, de transferir sua residência fiscal para a Bélgica, onde espera encontrar condições mais adequadas a seu estilo de vida.

Na Inglaterra a situação não é diferente, com o Chancellor of the Exchequer (equivalente ao Ministro da Fazenda no Brasil) Osborne anunciando medidas de austeridade, fortalecendo a classe média. Sempre que pode lembra que, desde 2010, estabeleceu maiores taxações aos mais bem aquinhoados.

O governo Obama também voltou seus canhões aos ganhos e receitas dos que ocupam o andar de cima da sociedade. Empresas de maior porte também terão que contribuir mais. Enfim, um cardápio de maiores tributações para aqueles que mais se beneficiam do sistema.

Claramente estamos num periodo de devolução de ganhos e benefícios auferidos nas épocas das vacas gordas.

Evidentemente, não haverá razão para o Brasil deixar de ingressar nesse clube, que nos bolsões de riqueza buscam compensar suas deficiências orçamentárias.

Baixos níveis de crescimento, infraestrutura cara e deficiente, além de outros problemas bem sabidos por todos, somente vão acelerar um necessário aperto fiscal e financeiro.Nesse ponto volto ao primeiro parágrafo deste artigo, quando realçamos a resistência brasileira à prevenção e à antecipação de certos fatos.

Há algum tempo está no Congresso, esperando aprovação, um projeto de maior taxação às grandes fortunas. É de se esperar que outros surjam, à medida que as situações político-econômicas se agravem. Aos empresários e indivíduos prudentes, alertamos: planejem-se e protejam seus ativos.

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