VENTOS DE CAPRICÓRNIO – A integração bioceânica

Fernando Guida, Alejandro Ratti e Jonas Rabinovitch

19/06/2008 – 21:25

Capricórnio representa uma verdadeira metáfora do Século XXI para nossa região. No passado, os ventos circulares do Trópico, do sistema anticiclônico de Capricórnio, foram a engrenagem oculta do Atlântico Sul e o motor do comércio colonial. O Trópico atravessa literalmente o coração do nosso Continente e indica as maiores reservas subterrâneas de água doce do Mundo, a oriente o Aquífero Guarani e a oeste os lagos que se escondem sob o Deserto de Atacama. Já sobre a terra, divide as regiões hidrográficas mais importantes do hemisfério e assinala as jazidas de gás e petróleo do Alto Bermejo e de lítio do Salar de Uyuni.

Hoje, o Trópico de Capricórnio enriquece este imaginário de integração física ao identificar em seus extremos os portos mais emblemáticos de cada costa. No Atlântico, Sepetiba se situa no sudeste do Estado do Rio de Janeiro, por onde circulam mais de 70% do PIB do Brasil. Pelo poente, o futuro mega-porto chileno de Mejillones promete ser um centro vital de exportações regionais até importantes países banhados pelo Pacífico. Entre ambos se instala um grande desafio que vai muito além de se construir um eixo articulador dos dois grandes blocos econômicos regionais: integrar um sistema de cooperação entre as economias regionais do Mercosul, criando uma imensa cadeia de serviços e comércio intermunicipal.

As cidades-porto do litoral chileno e peruano são as portas naturais que se abrem no Oceano Pacífico – o caminho mais curto até a Austrália, China e Índia, para citar apenas três gigantes – para a Bolívia e o Brasil, mas também para o Paraguai e a Argentina, pela posição física no mapa, e deverão associar-se em um “complexo portuário” que facilite uma estratégia exportadora adequada.
As cidades de Iquique e Arica ficam ali pelo paralelo 20, onde também, no Brasil, está Vitória – pouco mais abaixo, Rio de Janeiro e Santos – fortes áreas portuárias, portais para o Atlântico, leia-se África e Europa. Além das questões físicas, há expressivos fatores históricos que ligam as duas pontas da futura mega-estrutura de transportes que, completada, viabilizará projetos há muito guardados em gavetas e computadores.

A linha do paralelo 20 faz um corte histórico-geográfico no Brasil, Chile e Bolívia, passando por uma pontinha do Paraguai. Partindo-se do Chile, já na Bolívia, está Potosi, de onde foi retirada a prata para financiar a revolução industrial na Europa.
Pelo lado brasileiro, em distância equivalente, está Ouro Preto, de onde saiu muito ouro para o mesmo propósito. Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba e Oruro, na Bolívia, são outras grandes cidades do corredor que voltou fortemente ao noticiário no final do ano passado.
No Brasil, a rota direta passa por Belo Horizonte e Campo Grande, cidades de importância política e econômica relativamente equivalentes às bolivianas citadas. Interesses em comum entre elas e muitas outras poderão ser complementados com operações intermunicipais, internacionais ou não, de todos os tipos.
Por outro lado, pouco ou nada se comenta a respeito do modelo de negócios, que deverá incluir todos os atores institucionais, sociais e econômicos envolvidos nas atividades produtivas e comerciais associadas ao processo exportador.

Estamos tratando de um complexo rodo-ferroviário-fluvial que inclui os diversos corredores transversais que se complementam e não de uma estrada em linha reta. Porém, a partir da constatação geográfica e do objetivo econômico, cabe à sociedade colaborar com os governos na busca da integração de fato – como está acontecendo em outras regiões do Mundo que a cada dia melhor se preparam para os embates da globalização.

Uma sugestão que já vem sendo amadurecida há quase 20 anos pelo SIMAAS (Sistema de Integração Municipal América Área Sul) é a de que as cidades que fiquem sobre ou mais próximas dos trajetos destes corredores do complexo de transporte internacional passem também a sentirem-se envolvidas com o tema a partir da programação de eventos de todas as espécies que ajudem no seu entrosamento. Que tal um festival de música ou um campeonato de futebol entre elas, só para começar?

Além disto, não há, neste Século 21, como se conceber uma ligação física desta magnitude sem seu equivalente virtual. Uma rede deve ser formada para permitir um verdadeiro sistema de intercâmbio e compensação de bens e serviços – mecanismos de trocas em todas as escalas, de tudo o que for possível ser trocado, de informações a objetos – que mobilize o capital social de cada comunidade.

Existe um instrumento moderno e eficiente, porém pouco utilizado que, pelas ferramentas adequadas que contém, pode facilitar toda a tarefa: a Agenda 21. É mister a implantação de uma Agenda 21 Local específica para a região, com base nos preceitos da Carta da Terra e dos Objetivos do Milênio (ONU) para que se assegure o Capricórnio representa uma verdadeira metáfora do Século XXI para nossa região. No passado, os ventos circulares do Trópico, do sistema anticiclônico de Capricórnio, foram a engrenagem oculta do Atlântico Sul e o motor do comércio colonial. O Trópico atravessa literalmente o coração do nosso Continente e indica as maiores reservas subterrâneas de água doce do Mundo, a oriente o Aquífero Guarani e a oeste os lagos que se escondem sob o Deserto de Atacama. Já sobre a terra, divide as regiões hidrográficas mais importantes do hemisfério e assinala as jazidas de gás e petróleo do Alto Bermejo e de lítio do Salar de Uyuni.

Hoje, o Trópico de Capricórnio enriquece este imaginário de integração física ao identificar em seus extremos os portos mais emblemáticos de cada costa. No Atlântico, Sepetiba se situa no sudeste do Estado do Rio de Janeiro, por onde circulam mais de 70% do PIB do Brasil. Pelo poente, o futuro mega-porto chileno de Mejillones promete ser um centro vital de exportações regionais até importantes países banhados pelo Pacífico. Entre ambos se instala um grande desafio que vai muito além de se construir um eixo articulador dos dois grandes blocos econômicos regionais: integrar um sistema de cooperação entre as economias regionais do Mercosul, criando uma imensa cadeia de serviços e comércio intermunicipal.

As cidades-porto do litoral chileno e peruano são as portas naturais que se abrem no Oceano Pacífico – o caminho mais curto até a Austrália, China e Índia, para citar apenas três gigantes – para a Bolívia e o Brasil, mas também para o Paraguai e a Argentina, pela posição física no mapa, e deverão associar-se em um “complexo portuário” que facilite uma estratégia exportadora adequada.
As cidades de Iquique e Arica ficam ali pelo paralelo 20, onde também, no Brasil, está Vitória – pouco mais abaixo, Rio de Janeiro e Santos – fortes áreas portuárias, portais para o Atlântico, leia-se África e Europa. Além das questões físicas, há expressivos fatores históricos que ligam as duas pontas da futura mega-estrutura de transportes que, completada, viabilizará projetos há muito guardados em gavetas e computadores.

A linha do paralelo 20 faz um corte histórico-geográfico no Brasil, Chile e Bolívia, passando por uma pontinha do Paraguai. Partindo-se do Chile, já na Bolívia, está Potosi, de onde foi retirada a prata para financiar a revolução industrial na Europa.
Pelo lado brasileiro, em distância equivalente, está Ouro Preto, de onde saiu muito ouro para o mesmo propósito. Santa Cruz de la Sierra, Cochabamba e Oruro, na Bolívia, são outras grandes cidades do corredor que voltou fortemente ao noticiário no final do ano passado.
No Brasil, a rota direta passa por Belo Horizonte e Campo Grande, cidades de importância política e econômica relativamente equivalentes às bolivianas citadas. Interesses em comum entre elas e muitas outras poderão ser complementados com operações intermunicipais, internacionais ou não, de todos os tipos.
Por outro lado, pouco ou nada se comenta a respeito do modelo de negócios, que deverá incluir todos os atores institucionais, sociais e econômicos envolvidos nas atividades produtivas e comerciais associadas ao processo exportador.

Estamos tratando de um complexo rodo-ferroviário-fluvial que inclui os diversos corredores transversais que se complementam e não de uma estrada em linha reta. Porém, a partir da constatação geográfica e do objetivo econômico, cabe à sociedade colaborar com os governos na busca da integração de fato – como está acontecendo em outras regiões do Mundo que a cada dia melhor se preparam para os embates da globalização.

Uma sugestão que já vem sendo amadurecida há quase 20 anos pelo SIMAAS (Sistema de Integração Municipal América Área Sul) é a de que as cidades que fiquem sobre ou mais próximas dos trajetos destes corredores do complexo de transporte internacional passem também a sentirem-se envolvidas com o tema a partir da programação de eventos de todas as espécies que ajudem no seu entrosamento. Que tal um festival de música ou um campeonato de futebol entre elas, só para começar?

Além disto, não há, neste Século 21, como se conceber uma ligação física desta magnitude sem seu equivalente virtual. Uma rede deve ser formada para permitir um verdadeiro sistema de intercâmbio e compensação de bens e serviços – mecanismos de trocas em todas as escalas, de tudo o que for possível ser trocado, de informações a objetos – que mobilize o capital social de cada comunidade.

Existe um instrumento moderno e eficiente, porém pouco utilizado que, pelas ferramentas adequadas que contém, pode facilitar toda a tarefa: a Agenda 21. É mister a implantação de uma Agenda 21 Local específica para a região, com base nos preceitos da Carta da Terra e dos Objetivos do Milênio (ONU) para que se assegure o caráter de sustentabilidade do processo.

No Brasil, em Niterói (RJ), em 5 de dezembro passado (não por acaso Dia Mundial do Voluntariado), com participação direta de municípios, universidades, empresas, organizações governamentais e não-governamentais, por iniciativa do SIMAAS, foi inaugurado o processo de formalização da ACTA 21-Agência de Cooperação Territórios e Agenda 21, que será instalada, com sede na Universidade Federal Fluminense, em 5 de junho de 2008 (não por acaso Dia Mundial do Meio Ambiente).

A proximidade do bicentenário da emancipação americana propõe um marco excepcional de “encontro” entre nossos Povos Irmãos e a oportunidade para se recuperar o verdadeiro espírito daqueles acontecimentos históricos que comoveram o mundo ocidental há duzentos anos. Esta perspectiva nos permite repensar nosso Continente desde suas entranhas e orientar a construção de um verdadeiro paradigma civilizatório, da mesma forma como o fizeram, desde estas mesmas latitudes, os pais da nossa história contemporânea.

Convidamos tod@s os que quiserem co-laborar neste processo a participarem dos esforços para a integração de fato dos povos da América Latina.

* Fernando Guida (Presidente da Assembléia Constituinte da ACTA21);
* Alejandro Ratti (Diretor da Unidade de Gestão Contínua-UGC, do SIMAAS) e
* Jonas Rabinovitch (ONU-Conselheiro de Governança Econômico-Social).
territorios.sin.fronteras@gmail.com

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