Como a humanidade pode evitar 6ºC de aquecimento

José Eduardo Mendonça – 22/11/2013 às 08:48

Agência Internacional de Energia (AIE) fez uma advertência, em relatório divulgado ontem sobre o panorama energético mundial: o mundo pode estar a caminho dos 6ºC de aquecimento neste século, caso não se tomem medidas para a redução de emissões de gases estufa.

“As emissões, 2/3 das quais ligadas ao setor de energia, ainda estão em um curso perigoso, e se ficarmos na trilha atual, nem vamos chegar perto da meta internacionalmente acordada de limitar o aquecimento a 2Cº”, disse a diretora-executiva da AIE, Maria van den Hoeven, no lançamento do documento.

O mais recente World Energy Outlook, da agência, é uma leitura desafiadora para aqueles que participam da COP19 – Conferência da Convenção das Partes sobre Mudanças do Clima daONU, que acontece no momento em Varsóvia.

O relatório tem quase 700 páginas e contém avaliação exaustivamente detalhada dos sistemas de energia do mundo.

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Pelas tendências atuais, a AIE projeta que o mundo já vai ter queimado carbono suficiente para produzir os 2Cº em 2035. Segundo o economista-chefe da AIE, Fatih Birol, “nos últimos cem anos, já usamos cerca de 2/3 de nosso orçamento de carbono. Se não mudarmos nossas políticas considerando estes números, nossa margem vai ficar muito, muito pequena”.

Grande parte da análise examina cenários futuros de uso global de energia, com a inclusão das incertezas da previsão de sistemas tão complexos.

Ainda assim, a agência afirma que o quadro geral é bastante claro – há uma “desconexão crescente” entre ações governamentais relacionadas à mudança do clima e as exigências para se cumprir a meta de 2ºC.

Como a meta parece otimista demais, a AIE foca em um cenário onde o mundo faça apenas 30% de cortes necessários das emissões. Não fica claro quanto de aquecimento isto resultaria, mas no último relatório da entidade, o mesmo cenário de “novas políticas”, mencionava 3,6ºC. Mas mesmo a ação para este meta vai exigir compromisso significativo dos governos.

O gráfico abaixo mostra a partilha de emissões no cenário de novas políticas. A zona azul, que encolhe, indica que os países desenvolvidos, principalmente os da União Europeia, devem fazer as maiores contribuições para contrabalançar as emissões crescentes do mundo em desenvolvimento.

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Há mudanças importantes no cenário, como o fato de que as emissões chinesas devem se estabilizar em 2035, e que, até lá, a China terá se tornado a maior produtora de energia renovável do mundo – com uma geração maior que a dos EUA, União Europeia e Japão juntos.

A adoção de renováveis não é o desafio mais importante, segundo a AIE. Ela afirma que o meio mais eficaz de reduzir as emissões globais até 2035 é a redução da demanda de energia. Se forem implementadas as políticas de eficiência energética que os governos estão propondo, a agência diz que a economia de energia poderia representar 42% do potencial de redução de emissões do setor de energia até 2020, como mostra o gráfico abaixo.

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Birol diz que estas políticas têm contado a história real de sucesso da última década. Apenas no ano passado, afirma ele, os ganhos em eficiência energética reduziram a quantidade de energia que as pessoas usam em quatro vezes a taxa média conquistada em toda a última década.

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