“Chega de construir novas rodovias, pontes e viadutos”, defende ONU-Habitat

 

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Velaskez (com o microfone) defende cidades sustentáveis compactas, conectadas, integradas e inclusivas
Foto: Gabriel Oliveira/UFF

Quando o assunto são os investimentos do poder público para melhorar a mobilidade urbana das cidades, as medidas adotadas costumam ser as mesmas: novas rodovias, pontes e viadutos. Mas será que essas são as reais necessidades dos centros urbanos para resolver o problema? Na opinião do diretor do escritório regional para América Latina do ONU-Habitat, Elkin Velaskez, a resposta é não. Para ele, a solução passa menos pelas mãos e mentes dos engenheiros de transportes e mais pelos planejadores.

Velaskez defendeu o conceito de cidades sustentáveis compactas, conectadas, integradas e inclusivas como saída para o problema da mobilidade urbana, ao participar na terça-feira, 19 de novembro, do Exame Fórum Sustentabilidade, realizado em São Paulo.

“Nos últimos 50 anos, nós desenvolvemos as cidades de maneira estendida e parcelada, com áreas comerciais, industriais, tudo separado, mas conectado por rodovias, o que exige deslocamentos mais longos. Isso não é sustentável nem do ponto de vista econômico, nem social, nem ambiental”, afirmou o especialista da ONU.

Uma cidade não é igualitária quando constrói ruas para serem ocupadas 80% por único modal”
Elkin Velaskez, diretor do ONU-Habitat

Segundo ele, é preciso encontrar um modelo de expansão sustentável. “Vamos fazer cidades mais compactas. Compactas, mas organizadas. Compactas, mas planificadas”, explicou. De acordo com Velaskez, trata-se de regiões onde viagens diárias sejam curtas, com foco no desenvolvimento de áreas adjacentes às cidades existentes. Uma cidade que concilia densidade e capacidade de trânsito, além de se debruçar sobre um Plano Diretor e áreas TOD (Desenvolvimento Orientado para o Trânsito).

Cidade inclusiva e integrada

A criação de densas redes de ruas e trajetos são outra caraterística importante. “Em geral, as cidades carecem de ruas bem conectadas que facilitem o fluxo de veículos e de outros meios de transportes”, ressaltou. Na América Latina, onde os bairros se desenvolveram de forma informal, há uma grande oportunidade para essa mudança.

A cidade inclusiva implica pensar na maioria e como desenhar a cidade para priorizar a maioria, de forma a melhorar a qualidade do espaço público.

A cidade integrada, acrescentou o diretor da ONU, estimula o uso misto dos bairros, o equilíbrio entre moradias e serviços, com provisão de uma variedade de parques e espaços ao ar livre. “Aqui o que funciona é a economia local, distribuída em diferentes bairros, para que os moradores possam encontrar o que querem sem depender muito do transporte público”, sublinhou.

Cidade inclusivas devem ainda desenvolver bairros que estimulem a caminhada. Encurtar cruzamentos e enfatizar a segurança e conveniência da caminhada. “Uma cidade não é igualitária quando constrói ruas para serem ocupadas 80% por único modal”, criticou Velásquez.

 

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