PARIS COM ESCALA EM LIMA

(Resenha de Jose Eli da Veiga para o Planeta Sustentável, do ótimo livro: Sistema Internacional de Hegemonia Conservadora;
Governança Global na Era da Crise Climática, Eduardo VIOLA et al. Editora Annablume, 2013)

Só o conhecimento de boas análises pode evitar comentários ingênuos sobre as
mudanças climáticas.

Daí a importância dos resultados de pesquisa reunidos
neste livro por quem se especializou justamente nas relações internacionais e
que explicam a inconsequência da Convenção do Clima.

A obra é indispensável
para quem quer entender o porquê do impasse climático.

Para que os que estiverem vivos em 2050 tenham chance de evitar as piores consequências do  efeito
estufa, será selado em Paris, ao final de 2015, um acordo mundial com normas que cinco anos depois
deverão se tornar obrigatórias.

É preciso torcer, portanto, para que no 23º aniversário da Convenção do Clima essa 21ª conferência de seus signatários (COP21) consiga dar um enterro de luxo às irracionais e antiéticas instituições do  Protocolo de Kyoto, razão do absurdo impasse que se arrasta desde 1997.

Obter tal virada até ficaria fácil se ao longo dos próximos dois anos a humanidade fosse premiada com
uma ruptura tecnológica capaz de encurtar as rentáveis sobrevidas do carvão, do petróleo e do gás.

O mais provável, contudo, é que tão almejada inovação ainda demore bastante, forçando quase duzentas nações a adotarem regras que elas consideram sacrifícios até que se vislumbre o ocaso da era fóssil.

Como acaba de demostrar a histórica decisão sobre comércio adotada no início de dezembro em Bali, é dificílimo resolver qualquer problema global num contexto em que apenas 28 nações conhecem um incipiente processo de desapego da soberania nacional. Com muito mais razão, quando o problema envolve um conjunto  megadiverso de interesses políticos e econômicos em choque com diagnósticos científicos sobre fenômenos biogeofísicos que só podem ser probabilísticos.

Então, para que se consiga um mínimo de clareza sobre questão dessa complexidade é preciso esmiuçar ao menos três de suas determinações: os rumos da globalização em pleno século 21, as previsíveis mudanças nas relações de força entre coalizões plurinacionais, e as principais implicações da indispensável, mas lenta,  transição econômica  a uma  matriz energética de baixo carbono .

Só o conhecimento de boas análises sobre ao menos essas três grandes dimensões do problema poderia evitar tantos comentários ingênuos sobre o tema, mesmo quando são feitos por ativistas bem conscientes
da imensa importância que tem o  aquecimento global  no atual contexto histórico.

Daí a utilidade dos resultados de pesquisa reunidos nesse livro por quem se especializou justamente nas relações internacionais que explicam a inconsequência da Convenção do Clima.

Com certeza alguns críticos dirão que o estilo acadêmico é pouco amigável ao grande público. Mas foi assim, acatando os ossos do ofício, que esse trio do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília
(IREL/UnB) conseguiu produzir uma obra que, além de ser indispensável para quem quiser entender o porquê do impasse, também permite avaliar, por exemplo, se esta resenha realmente acerta ao prever
que não passará de mera escala técnica a COP20 agendada para o final de 2014, em Lima.

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