Brasil, um país de desigualdades…. hidrológicas

Postado por Osvaldo Moura Rezende em 19 de junho, 2014 | Categorias : Meio AmbienteRecursos Hídricos

No país do futebol, a renda familiar per capita dos 20% mais ricos concentram quase 64% do total de riquezas do país, deixando para os 20% mais pobres apenas 3,5% dessa riqueza, segundo dados do IBGE (2012). Isso porque entre 2001 e 2010, essa desigualdade sofreu uma pequena redução…

Além desse quadro social desolador, criado e sustentado por uma elite baseada historicamente na concentração de privilégios e na exploração de camadas sociais menos favorecidas, gerando inúmeras dificuldades para o desenvolvimento de nossa sociedade, como aumento da violência, nosso país vive também com uma gigantesca desigualdade hidrológica!

Como assim, “desigualdade hidrológica”?

O Brasil possui cerca de 12% da vazão fluvial disponível em todo o mundo, escoando 179 mil m³/s de água pelos rios brasileiros. Porém, quase ¾ dessa vazão está na região hidrográfica Amazônica, onde residem menos do que 5% da população tupiniquim. Ou seja, o resto, 95%, vive em locais que, somados, possuem 25% da vazão produzida por nossas bacias hidrográficas.

conjuntura.ana.gov.br/conjuntura/abr_nacional.htm

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Essa desigualdade pode ser observada também na distribuição das chuvas pelo país. Quando são analisadas as médias anuais, encontra-se uma diferença de 80% entre as regiões com precipitações mínimas e máximas, variando de 550mm na região do semiárido a 2.850mm na região norte da Amazônia.

Isoietas anuais no país, entre 1961 e 1990.

A desigualdade da distribuição de água no país não é somente espacial, mas também temporal, com variações muito grandes ao longo das estações do ano. E essas variações temporais variam no espaço também! Complicou? Maaaaisss ou meeeeeenosss….

Então, é o seguinte, enquanto no sudeste chove muito no verão e pouco no inverno, na região costeira do nordeste acontece o contrário, apresentando maiores índices de precipitação durante os meses “frios”.

Isso explica porque o texto Imagina na Copa, publicado aqui no Cidade das Águas, tratando sobre a baixa possibilidade de ocorrência de um evento de inundação na cidade do Rio de Janeiro durante os jogos da Copa do Mundo, não se aplica, por exemplo, para a cidade de Natal, onde, na última sexta-feira 13, ocorreram graves prejuízos oriundos de um forte temporal, com deslizamentos e alagamentos em vários bairros. Enquanto no verão carioca a média mensal de precipitação em dezembro é de 225mm, em Natal chove na média 25mm. Já quando observamos o inverno, no mês de julho a capital potiguar apresenta média de 350mm contra 50mm precipitados em média no Rio de Janeiro.

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Para quem quiser saber mais sobre esse assunto, indico fazer as seguintes pesquisas e leituras:

Abraços a todos.

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