CRISTINA LOBO

Blog da Globonews

Mexendo com tabus

Na contramão dos principais candidatos que evitam falar no assunto, o candidato do PV à Presidência da República, Eduardo Jorge, quer levar ao debate eleitoral este ano dois temas que causaram polêmica nas últimas eleições: a defesa da descriminalização do uso da maconha e o aborto.

Para ele, os dois assuntos devem ser tratados nos programas de saúde e de educação. E é bom que fique claro, disse, que não se trata de defender o consumo de drogas.

“Não é para estimular o consumo de maconha, mas fazer a regulação do uso e, principalmente, atuar para quebrar a economia do crime”, disse Eduardo Jorge.

Autor da lei que permitiu a “esterilização voluntária” ou o “planejamento familiar”, Eduardo Jorge observa que, antes da aprovação dessa lei, vasectomia e laqueadura de trompas não eram permitidas no Brasil no sistema público de saúde.

“As mulheres e homens precisavam pagar médicos particulares para isso”, diz ele, que também é o autor do projeto que deu as condições para a implementação do programa dos remédios genéricos que ficaram conhecidos na gestão de José Serra no Ministério da Saúde.

Na eleição passada – e isso deve se repetir nesta – os principais candidatos evitavam esse debate afirmando a lei brasileira sobre o aborto (que permite o aborto em caso de risco para a mãe e também quando há má formação do feto) era satisfatória.

Eduardo Jorge não concorda. Ele acha que é preciso implementar o planejamento familiar no Brasil e que o aborto existe exatamente quando há falha neste planejamento. Segundo dados do Ministério da Saúde citados por ele, acontecem no Brasil entre 700 mil e 900 mil casos de aborto por ano.

“É, portanto, um problema de saúde”, disse, observando que são precárias as condições para realização desses abortos, que acabam provocando risco à vida das mulheres e deixando sequelas no corpo ou psíquicas. “É preciso haver educação sexual na escola da mesma forma como é preciso ter a livre orientação sexual”.

Eduardo Jorge elogia as políticas públicas defendidas pela ONU, com exceção de uma: a de combate às drogas. “Está provado que não deu certo e muitos países estão revendo isso”.

“Combater o uso de droga com polícia e penitenciária não é um bom caminho”, disse ele, observando que alguns países que também assinaram o tratado com a ONU estão revendo essa forma de combate às drogas, como Holanda, Espanha, Portugal e alguns estados norte-americanos.

Para ele, a palavra-chave é a regulação e o controle do consumo. “O Estado deve dizer que o melhor é não usar a maconha porque ela pode gerar problemas de saúde (pode causar dependência em 10% dos usuários), tal como acontece com o tabaco e o álcool. Se usar, que faça isso de forma moderada. E, em terceiro lugar, se o usuário tiver qualquer sintoma de que o uso está se tornando uma dependência, o Estado deve atuar para o tratamento, também como acontece com o tabaco e o álcool”. Outros tipos de droga, como o crack, por exemplo, não teriam o mesmo tratamento. E o Estado deveria agir para inibir o uso e também oferecer tratamento.

A fórmula que defende é a de o Estado fornecer a maconha em doses cada vez menores e de boa qualidade e tratar o usuário até que ele se livre do vício. “É uma regulação progressiva”, explicou. Segundo o presidenciável do PV, o uso de drogas como a maconha levou para a prisão no Brasil algo em torno de 170 mil jovens, a maioria pobres.

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2 Respostas para “CRISTINA LOBO

  1. Carlos Alberto da Silva Cucco

    Fernando, finalmente teremos um candidato a altura e com disposição para discutir o inevitável, a covardia dos outros candidatos em se envolver com polêmicas e a omissão dos mentirosos que prometerão muito e pouco fizeram.CONTEM COM MEU VOTO E APOIO.

  2. Augusto Souza

    Olá, caro Guida! Embora eu seja contra a descriminalizacao do uso da maconha, acho oportuna a discussão. Acho que eh primordial a defesa da sociedade brasileira com um todo (a maioria absoluta), o que está muito longe, ainda. Depois, aí, sim, vamos administrar as exceções. Como a Polícia e/ou outros órgãos de defesa da sociedade (maioria absoluta), todos ainda completamente despreparados, diferenciarão traficantes de usuários, por exemplo? Avalio que há muitas questões que precisam ser resolvidas antes. Outra questão: o nome da repórter eh Cristiana Lobo, que eh uma petista descarada e usa descaradamente a GLOBONews para fazer propaganda da Dilma e do PT. Parabéns pelo seu Blog, de altíssima qualidade e substancioso! Um grande abraco, Augusto Enviada do meu iPhone

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