MUITO BOM PARA REFLEXÃO QUANTO AO ATUAL CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

JORNALISTA JUDEU DO NEW IORK TIMES CRITICA O GOVERNO DE ISRAEL (Quaresma)

Amigos e amigas,
Quando nós, professores de História, muitas vezes rotulados de comunistas ou, mais recentemente, de petistas pelos preconceituosos, como se isso fosse um defeito,
criticamos o Terrorismo de Estado praticado pelo Governo de Israel há anos contra o Povo palestino, que comete atos de terrorismo,
esses mesmos preconceituosos julgam que falamos isso porque Israel é uma “ilha”, cercada de muçulmanos, e com milhões de palestinos dentro, no Oriente Médio,
muito em função do apoio dos Estados Unidos, que já promoveu uma série de intervenções e ocupações contra o descumprimento de resoluções da ONU,
mas que “esquece” que, em 1947, a ONU determinou a criação de dois estados na Palestina, um judeu e outro “árabe”,
resolução cujo cumprimento teria evitado a maior parte da mortandade que o mundo tem assistido na região desde então.
E, como somos os abomináveis comunistas e/ou petistas, somos contra os Estados Unidos e, logo, contra seu amigo Israel.
E, pior, pensam que somos contra os judeus, como se nós, professores de História, não soubéssemos que Governo é uma coisa e Povo é outra.
Mas, como os preconceituosos pensam que é uma burrice inconcebível sermos comunistas e/ou petistas, nada mais natural do que nos acharem burros.
Mas a conclusão óbvia dos preconceituosos está equivocada.
Na questão palestina, os Estados Unidos ajudaram – e ajudam – Israel a descumprir a resolução da ONU de 1947,
impedindo a criação do Estado Palestino, para ter uma base aliada confiável no Oriente Médio desértico e pobre por cima, mas petrolífero e rico por baixo.
Tal preconceito estreita a visão sobre a desumanidade que se comete há décadas contra os palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
É claro que os palestinos, ao longo desse tempo, da OLP de Arafat ao Hamas, também cometeram desumanidades terroristas.
Porém, muito mais do que a desproporcional derrota brasileira por 7 a 1 para a Alemanha, propalada pela embaixada de Israel no Brasil,
me parece que seja, em 22 dias, a morte de 1.291 palestinos (95,7%) e de 58 israelenses (4,2%), uma desproporcionalidade de 22 a 1,
22 palestinos mortos a cada 1 israelense morto, no atual conflito da Faixa de Gaza, uma situação difícil até do Felipão explicar,
um “apagão” de vidas, 58,6 por dia, de dar inveja a traficantes e milicianos do Rio de Janeiro.
Mas, já que muitos tentam desqualificar as opiniões dos professores de História, praticamente insultando-os de comunistas e/ou petistas,
como isso fosse um xingamento, uma atitude típica dos que, quando não têm mais argumentos, ofendem o oponente e encerram o debate,
segue um artigo escrito para o New York Times por um inglês londrino e do Povo judeu, Roger Cohen, criticando o Governo de Israel.
Talvez, assim, alguns entendam o que os professores de História tentam explicar sem muito sucesso por força dos preconceitos.
Boa leitura!
Quaresma
PS: E para maior credibilidade dos preconceituosos, o artigo também foi publicado em O Globo.
PS2: Lembro mais uma vez que, apesar de professor de História, não sou comunista, nem petista.
Sou um social democrata de esquerda, contra todas as ditaduras, da nossa Militar à cubana de Fidel e de Hitler a Stalin.
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A questão para os judeus da Europa foi sempre a mesma: pertencimento. Sejam eles franceses ou alemães, temiam que as sociedades cristãs que os tinham aceito pela metade pudessem se voltar contra eles.

Theodor Herzl, testemunhando o antissemitismo francês durante o caso Dreyfus, escreveu “O Estado Judeu”, em 1896 com a convicção de que a plena aceitação para os judeus nunca viria. Herzl era presciente. O sionismo nasceu de uma conclusão relutante: que os judeus precisavam de uma pátria, porque em nenhum outro lugar jamais iriam estar em casa.

Os estragos da não aceitação europeia perduram. Eu entendo a raiva de um israelense, Naomi Ragen: “Eu vejo a Europa, que perseguiu nossos avós e bisavós e parentes — homens, mulheres e crianças — e os enviou para as câmaras de gás, sem questionamentos. E eu penso: eles são agora os árbitros morais do mundo livre?

Eles estão dizendo para os descendentes das pessoas que mataram como devem se comportar quando outros antissemitas querem matá-los?”.

Esses antissemitas seriam o Hamas, fazendo chover terror sobre Israel, em busca de sua aniquilação. Nenhum Estado, continua a argumentação de Israel, não responderia com força a tal provocação. Se há mais de mil mortes de palestinos (incluindo 200 crianças), e mais de 50 mortes israelenses, Israel argumenta que a culpa é do Hamas, para quem as vítimas palestinas são o mais poderoso argumento antiisraelense no tribunal da opinião pública mundial.

Eu sou sionista, porque a história dos meus antepassados me convence de que os judeus precisavam da pátria que as Nações Unidas votaram para existir na Resolução 181, de 1947, pedindo o estabelecimento de dois Estados — um judeu, um árabe — na Palestina do mandato britânico.

Eu sou um sionista que acredita nas palavras da Carta de fundação de Israel, de 1948, declarando que o Estado nascente seria baseado “na liberdade, justiça e paz como imaginado pelos profetas de Israel.”

O que não posso aceitar, no entanto, é a perversão do sionismo que tem visto o crescimento inexorável de um nacionalismo israelense messiânico reivindicando toda a terra entre o Mar Mediterrâneo e o Rio Jordão; que, durante quase meio século, produziu a opressão sistemática de outro povo na Cisjordânia; que levou à expansão constante dos assentamentos israelenses; que isola os palestinos moderados em nome de dividir para reinar; que persegue políticas que tornam impossível continuar a ser um Estado judeu e democrático; que busca vantagem tática ao invés do avanço estratégico de uma paz baseada em dois Estados; que bloqueia Gaza com 1,8 milhão de pessoas trancadas em sua prisão e depois é surpreendido pelas erupções periódicas dos detentos; e que responde de forma desproporcional ao atacar de uma forma que mata centenas de crianças.

Isto, como um sionista, eu não posso aceitar. Judeus, acima de todas as pessoas, sabem o que é opressão. Nenhum argumento pode justificar o fracasso judaico que a morte de tantas crianças representa.

O Hamas é maligno. Eu ficaria feliz em vê-lo destruído. Mas o Hamas é também o produto de uma situação que Israel reforçou em vez de procurar resolver. Este exercício israelense corrosivo de controle sobre outro povo, criando o desprezo dos poderosos pelos oprimidos, é uma traição ao sionismo em que eu ainda acredito.

(Roger Cohen, New York Times)

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Uma resposta para “MUITO BOM PARA REFLEXÃO QUANTO AO ATUAL CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

  1. Ricardo Harduim

    Ricardo Harduim

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