Estrela vai exportar brinquedos na China por causa dos custos no Brasil

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    Carlos Tilkian, presidente da fabricante brasileira de brinquedos EstrelaCarlos Tilkian, presidente da fabricante brasileira de brinquedos Estrela

A partir deste mês, crianças da Rússia e da Turquia poderão encontrar, nas lojas, brinquedos da marca Estrela, como a bonequinha Cupcake Surpresa.

A chegada a esses mercados marca a volta da empresa brasileira às exportações depois de cerca de cinco anos. Mas, diferentemente do que fez no passado, a Estrela não vai exportar brinquedos fabricados no Brasil, e sim feitos por indústrias da China.

Unir-se ao país que, para muitos fabricantes de brinquedos, é o maior “inimigo” do setor, foi a forma que a empresa encontrou para driblar os custos de produção e exportação brasileiros, diz o presidente da Estrela, Carlos Tilkian.

“Nós resolvemos fazer com que os problemas de ontem passassem a ser uma vantagem competitiva nessa nossa retomada da exportação”, afirma ele. Segundo o empresário, a experiência com produção naquele país ajudou a empresa na busca por fornecedores de qualidade para essa nova fase.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista que Tilkian concedeu ao UOL.

UOL – A Estrela vai voltar a exportar produtos depois de muitos anos. Mas, em vez de exportar do Brasil, vai exportar a partir da China. Por quê?

Carlos Tilkian – Nós já comprávamos muitos produtos da China, como carrinhos de controle remoto, minibonecas e personagens de filmes. Aí a gente pensou: nós já temos uma parcela de brinquedos desenvolvidos por nós que são produzidos na China e vendidos no Brasil. Por que não começar a exportar a partir da China?

A exportação pelo Brasil continua extremamente difícil para produtos industriais, por causa de uma conjuntura de fatores, que vão desde toda a carga tributária imposta no processo de produção até a falta de infraestrutura e problemas de logística. Tudo isso, junto com o câmbio, tira muito da competitividade da exportação.

Na China, a situação é diferente em relação a fluxo de mercadorias, frete internacional e marítimo, frequência de navios, infraestrutura. Além disso, a moeda chinesa, frente ao dólar, tem uma desvalorização muito grande.

Então nós resolvemos fazer com que os problemas de ontem passassem a ser uma vantagem competitiva nessa nossa retomada da exportação.

Por que a Estrela parou de exportar seus produtos?

Há 20 anos, a Estrela exportava principalmente para os Estados Unidos e para a Europa. Mas nós fomos perdendo a competitividade. Isso aconteceu não em função da perda de eficiência industrial, mas por causa das leis trabalhistas e  do crescimento significativo da carga tributária.

Se você analisar a média de aumentos reais que foram dados para os principais sindicatos, ela é significativamente maior do que o aumento da receita das empresas ou do que o aumento do PIB do país. Isso significa um aumento de custo de produção.

Além disso, a falta de investimento na infraestrutura e a política cambial que o Brasil adotou nesses últimos anos fizeram a gente perder a chance de exportar. Nos últimos cinco anos, nós praticamente não exportamos mais nada.

Agora já temos dois contratos de exportação em andamento, para a Rússia e para a Turquia. Queremos adotar um novo modelo para a companhia, em que a gente começa a usar a China como uma vantagem competitiva, e não mais como um risco estratégico à nossa sobrevivência.

É possível estimar a diferença de carga tributária do Brasil da China?

Vou te dar números aproximados. Um brinquedo comprado por um consumidor na loja tem, aqui no Brasil, quase 50% de impostos. Parte desses impostos também incide sobre produtos importados, então é difícil fazer a conta exata.

Mas, para ter uma ideia, na China, o único imposto que existe, principalmente para as empresas que exportam, é o Imposto de Renda, com alíquota máxima de 12%. Então é infinitamente mais baixo do que a gente produzir aqui e exportar.

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