ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS E OUTRAS COSITAS……

O que está em jogo?

Maior que os antagonismos que vivemos é o ódio contra o atual governo que, longe de ser perfeito ou maravilhoso, expôs a pobreza brasileira de uma maneira definitiva e monumental para um país adolescente, politicamente inseguro e que resiste em amadurecer.

Por razões históricas diversas, o Brasil acostumou-se a esconder o que não quer ver. Ao invés de encarar as questões nacionais de frente, nossa cultura política está acostumada a “se livrar dos problemas” ao invés de resolvê-los…

Em meio a uma das maiores crises mundiais e mesmo que, segundo o Ipea, a Andifes, o Estadão e o Banco Mundial, comparando os anos de 2002 (último ano do governo FHC) e 2013, o PIB em bilhões de reais tenha passado de 1.477 para 4.837; a inflação de 12,53% para 5,91%; o desemprego, de 10,5% para 4,3%; a taxa Selic, de 24,9% para 11%; a dívida pública, de 60,4% para 33,8%; o salário mínimo de 364,84 para 724,00 (2014); a taxa de pobreza, 34% para 15% (2012); as reservas cambiais de 38 bi para 375 bi; os gastos públicos com a saúde de 28 bi para 106 bi e com educação de 17 bi para 94 bi; o famigerado risco Brasil, de 1.446 para 224; e que tenhamos passado de 14ª economia mundial para a 6ª, em 2013,* nada disso importa, nada disso está em jogo!

Da mesma forma, não está em jogo a Dilma contra o Aécio, não está em jogo o PT contra o PSDB. A pobreza brasileira é estruturante para a elite econômica, bem como a corrupção também o é. O empresário brasileiro não cede nada, não contribui em nada e é ele quem alimenta todo o jogo de corrupção e da vergonhosa sonegação no país.

Em jogo estão a Direita contra a Esquerda, e não venham me dizer que esses conceitos estão ultrapassados, que não existem mais e que esta discussão está superada! Isso é balela, os conflitos de classe nunca estiveram mais vivos, densos e visíveis! E é isso o que está em jogo nessas eleições brasileiras.

Pode vir quem vier, pode ganhar quem parcela da população desconte e lobotomizada escolher, mas este mérito ninguém tira dos governos Lula e Dilma, eles levantaram o tapete! Nada mais cabe ali!

Deve mesmo incomodar muito a nossa elite (atrasada, limitada e acostumada a privilégios) ter que, definitivamente, abolir a escravidão, ao ser obrigada a considerar os(as) funcionários(as) e as empregadas domésticas como trabalhadoras que são, e não como uma “pessoa praticamente da família!”, mas que dorme na senzala do quartinho dos fundos ou nos guetos onde vive apartada da cidade por 3 ou 4 horas de transporte público indecente.

Deve incomodar mesmo saber que o(a) filhinho(a) estuda em uma universidade pública junto de um negro, um pobre ou outro excluído qualquer que por vezes é mais brilhante que seu rebento saudável. É visível a qualquer um que frequenta os aeroportos do país o incômodo da nossa classe “A” que se vê obrigada a sentar no avião ao lado de uma pessoa humilde ou “de cor”. Deve incomodar mesmo ver recursos governamentais serem concedidos como renda mensal a pessoas extremamente pobres – os valores variam entre R$ 77 e R$ 154, o que qualquer bacana gasta fácil em um único jantarzinho sem vinho.

“Nossa elite é a pior do mundo, e a paulista, a pior do Brasil!”, ouvi diversas vezes esta frase ser dita por minha mãe, antiga ‘enfant’ de Sion, paulistana de quatro costados, “quatrocentona” (ou com a virada do século já será “cincocentona”?). Ela ainda completa a frase: “- Eu sei o que eu estou dizendo, conheço-os de dentro…” E tem razão a senhora octogenária…

É realmente imensa a lista de “privilégios perdidos”. E isso é verdade, perderam mesmo! É compreensível esse ódio, vindo de tal elite mimada e mal-acostumada.

Agora, incrível, e o mais impressionante, é o apoio de tantas pessoas que não fazem parte do ‘club’ a uma candidatura que representa um brutal retrocesso. Estão em jogo as políticas sociais, a reforma política, a reforma tributária, o arrocho salarial de trabalhadores e aposentados, a manutenção de uma política internacional independente, as políticas inclusivas, os debates de políticas progressistas como a descriminalização do aborto, políticas de cotas, casamentos entre pessoas do mesmo sexo… É imensa a pauta que não entra em discussão.

E o ‘club’ se fortalece com o apoio de pessoas que acabam traindo a si mesmas, inebriadas e seduzidas por uma classe social à qual não pertencem, por uma mídia maléfica ao país e que “houdinianamente” ilude incautos que não tem como lazer ou informação outra opção que não seja a tv aberta.

Será ainda necessário um bom tempo, muita experiência democrática, um grande amadurecimento e luta para o Brasil encontrar um caminho mais humano e justo, no qual estejam apaziguados os conflitos de classe e onde a religião e o Estado estejam definitivamente apartados.

​Heloisa Frossard​

 

* Obrigada Paulo Villaça pelos dados reunidos, retirei-os de uma postagem sua!

 

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